1° album de Mayer Hawthorne

A trilha sonora perfeita para dias chuvosos como o de hoje. O vídeo acima é mais uma pedra preciosa de Mayer Hawthorne que, neste mês, lançou o seu primeiro album A Strange Arrangent.

 

Benji B e Mayer Hawthorne

Benji B (esquerda) e Mayer Hawthorne

Já havíamos falado de Mayer Hawthorne no OHB, meses atrás. O multitalentoso artista acaba de lançar 4 novas faixas, em primeira mão, no programa do DJ Benji B, na rádio BBC. As faixas serão lançadas em singles, no formato de vinil, ainda esta ano, provavelmente em abril. Também farão parte do seu primeiro album pela Stones Throw programado para o verão de 2009.  São elas: “Maybe So, Maybe No”, “I Wish It Would Rain”, “Green Eyed Love” e “Love’s Alright”. Mayer é conhecido pelas suas musicas estilo vintage, com uma pegada soul dos anos 50 e 60. Você pode ouví-las ou mesmo baixar o programa AQUI.

Sátira sertaneja é com ele mesmo!

Sátira sertaneja é com ele mesmo!

Você já foi a alguma festa de peão na década de 90? Se a resposta for sim, certamente já foi surpreendido com o refrão de alguma música de Jorge Moiséis. Natural de São José do Rio Preto, Jorge iniciou sua carreira em 1987 com o saudoso Zé do Prato, o maior locutor de rodeios no Brasil. Ele seguiu na locução de rodeios por alguns anos, mas logo trocou as narrações pela música.

Jorge Moiséis gravou o seu primeiro CD em 1992, com o título “Cantor dos Cowboys”. Mas foi em 1998, com o álbum “1000 Km de Emoção” que Jorge atingiu a redenção no meio sertanejo e lançou um estilo inconfundível.

Ele apostou no duplo sentido e em sátiras de vários estilos de música, como forró, country, romântica e vanerão, além de também poemas e versos de rodeio. Jorge tornou-se uma espécie de “Falcão” do mundo sertanejo e virou figura fácil em nos mais importantes rodeios do Brasil, como Barretos, Americana, Aparecida do Taboado, Fernandópolis, Indaiatuba, Colorado e Cerquilho. 

Entre seus sucessos estão “Rei da Zona”, “Se minha mãe não tivesse me tido”, “Porteiro de Motel”, “Boizinho Espaia Merda”, “Vamo, ET!” e “Pedágio”, música inspirada pelo excesso de pedágio a região de Americana, onde ele mora. 

"Você achou que o Rap morreu / Você deve estar usando prozac / é coisa da sua cabeça" (Vast Aire)

O Rapper Theodore Arrington (nome de batismo) é conhecido nas ruas de Nova York como Vast Aire. No começo da década formou com Vordul Mega o cultuado grupo entre os fãs de underground, Cannibal Ox. Logo o grupo conseguiu muita credibilidade na cena independente novaiorquina de Hip Hop, mas lançaram apenas um album, em 2001, entítulado “Cold Vein”. A dupla conseguiu ótimas críticas da mídia especializada. Pouco depois, por divergências ainda hoje não explicadas, a dupla separou e ambos seguiram em carreira solo. Mesmo Cold Vein sendo um trabalho mais sombrio, Vast já revelava seu talento com suas letras bem humoradas e sarcásticas.

Ano passado Vast lançou o disco “Dueces Wild“, um albúm fraco na minha opinião, mas que tem os seus momentos. O melhor deles é na música “Take Two” onde o MC faz diversas referências na composição da letra, que vão dos Smurfs ao Indiana Jones. A primeira delas está presente nos primeiros segundos da instrumental, que é marcada pelo efeito sonoro das peripécias realizadas por Lee Majors do seriado dos anos 70, Six Million Dollar Man (O Homem de Seis Milhões de Dólares).

Outra característica da música é o Battle Rap. Este recurso é o equivalente ao nosso repente nordestino e é usado a exaustão pelos rappers norteamericanos. Consiste em “duelar” com alguem presente ou imaginário. Vast Aire, com muita sagacidade, foge dos lugares e usa este recurso de uma forma mais bem humorada, leve e inteligente. 

Take Two” por Vast Aire

Gimme two takes and I’m gone with the wind
I know piranha rap niggas that’ll eat you thin
Which means their flow is sin
You better learn how to swim
So chill out Hero
I move my blade like Beatrix Kiddo
With the illest of Haiku riddles
On top of a mountain, playin a fiddle
You don’t really wanna dance you just dabble…
Yo…
You are not the better man
Like Wacko Jacko ain’t Peter Pan
Actin like you ain’t nervous
Now that’s a True Lie like Jamie Lee Curtis
You backwards like sock on shoe
Don’t let me catch you where they rendezvous
You got you your own shit that means God blessed you
But that means I don’t gotta like you!
Son, the God’s spit spiteful…
C’mon dude I was born to rap
When delivered I had a rhyme and the doctors clapped
The nurse beatboxed
Harmonizing while the cradle rocked
You got problems let me know
Shit I got your back like C3PO
You thought rap was dead
Nah, you was on Prozac it’s all in your head
(It’s all in your head…)

So take two of these but don’t call me
in the morning cause I’ll be snoring
In the city or somewhere touring
Next to a cutie I’m wakin up yawnin
I guess I was blessed with the callin
I keep soaring, you keep falling
And if it was up to me?
We would just all evolve just like Darwin
You need to quit stallin

Sorry kid, you got overpaid
I know some hungry ass cats and they’re on their way
We like girls with Oil of Olay
No sausage hhere we like fish fillet
And I don’t need no one behind me
I do my dirt all by my lonely… HOMEY
I used to listen to gangsters with jheri curls
and make cheese sandwiches with no frills
My favorite groups was EPMD
PE on TV? Now thats therapy
I came up in the streets, you came up
in a Smurf village; there is no comparison
And if this was the search for the Holy Grail
You besta believe I’m Harrison
Ford
. The whip is the mic cord
with an invisible string if I drop sword
You put that together
We can do this to a beat or go accapella
When I spit these sentences change the weather like…

Karen O é a bela e a fera ao mesmo tempo. A cantora exótica tem uma das vozes mais marcantes da década.

Karen O é a bela e a fera ao mesmo tempo. A cantora exótica tem uma das vozes mais marcantes da década.

O Yeah Yeah Yeahs é uma banda punk doida que sempre comeu pelas beiradas  no cenário indie desta década. Cultuado pelos bichos-grilos (e a garotada que joga Rock Band), o trio formado pela exótica vocalista Karen O, além do guitarrista Nick Zinner e o baterista Brian Chase lançam um novo álbum em abril, It’s Blitz!

O single Zero é uma das músicas mais bacanas lançadas neste início de ano e mostra a tendência da banda em cada vez mais cair para o universo eletrônico. Em Zero, o uso diferente da guitarra distante das raízes do rock praticamente revela a intenção da banda em colocar todo mundo pra balançar o esqueleto – aliás, faltam músicas de qualidade neste gênero decadente e Zero chega em boa hora para ser experimentada.

A novidade deixa os fãs da banda em estado de alerta, afinal It’s Blitz! é apenas o terceiro álbum do Yeah Yeah Yeahs, trio que vira quarteto em turnês com a ajuda do segundo guitarrista Imaad Wasif. Os trabalhos anteriores do Yeah Yeah Yeahs foram Fever to Tell (2003) e Show Your Bones (2006). Aliás, Fever to Tell traz uma de minhas canções favoritas nesta década: Maps, um hino desse novo século para a dor de cotovelo.

Com a chegada de It’s Blitz!, tomara que a banda venha ao Brasil para mostrar mais um pouco da extravagante performance de palco de Karen O, que equilibra uma belíssima voz angelical com uma presença enigmática e assustadora por seu visual estilo Marilyn Manson de saias.

 

MAPS

Não somente a música impressiona, mas o vídeo de Maps é a prova de que uma idéia simples pode se tornar algo grandioso. Parte desse impacto vem da entrega sentimental de Karen O, sem falar na fotografia de cores berrantes e luzes estouradas, que fazem desse clipe um dos meus preferidos.

Veja aqui. Ou abaixo se o You Tube deixar.

 

James Yancey Dewitt AKA J Dilla

James Yancey Dewitt AKA J Dilla

Não poderia deixar passar, mas acabei deixando. Semana passada completaram-se três anos que o produtor de hip hop J Dilla, também conhecido como Jay Dee, faleceu. O Perraps, blog parceiro, fez um especial muito interessante sobre a vida de um dos mais influentes e talentosos beatmakers que a música negra já viu.  Você pode acessar aqui as Partes um, dois e três.

 

MC Hammer e seu figurino que poderia ter sido desenhado pelo carnavalesco Clóvis Bornay 

 

MC Hammer e seu figurino que poderia ter sido desenhado pelo carnavalesco Clóvis Bornay

Boa idéia a do amigo Rodrigo. Vou listar o meu top 5 aqui. Lógico, puxando a sardinha pro gênero que finjo entender alguma coisa. Algumas canções do Hip Hop, transcederam a obscuridade do gênero e chegaram ao grande público. Umas chegam a ser interessantes, outras seriam mais adequadas de rotuladas como “Hip-Pop”.

Em 1990, um “rapper”, com calças bufantes e dança inquieta tomou as paradas de sucessos com o hit “U Can’t Touch This”. Na canção, MC Hammer sampleia, sem cerimônias, o clássico “Super Freak” de um frequentador assíduo das hit parades na década anterior, Rick James. Pra quem não se lembra (ou está com preguiça de clicar no link) essa é a música que a infante protagonista dança ao final do filme “Pequena Miss Sunshine”. MC Hammer ficou multi-milionário na mesma rapidez em que declarou falência alguns anos atrás.

No mesmo ano, um rapper branco do Texas, que começou sua carreira cantando em shoppings centers dividiu as atenções e o tempo de execução nas rádios com MC Hammer. O Sorvete de Baunilha ou Vanilla Ice fez sucesso com o grande público, mas sua credibilidade no meio do Hip Hop era a mesma que um garoto branco do suburbio que começa sua carreira cantando em shoppings, ou seja, nenhuma. A fórmula era a mesma de Hammer, samplear um grande hit da década anterior e colocar umas batidas e um refrão bem pegajoso. A “vítima” dessa vez foram os ingleses Queen e David Bowie, com a musica “Under Pressure”.

No ano seguinte, 1991, veio a resposta em forma de “One Hit Band”. Os judeus novaiorquinos do 3rd Bass também fizeram um grande sucesso com a música “Pop Goes the Weasel”, mas dessa vez sem seguir fórmulas de samplers famosos, porém com um refrão também marcante. Em seu vídeo, o grupo exprime o que os gênero pensava de Vanilla Ice de forma bem acintosa.

Em 1992, os Bostonianos (é isso? Se for é horrível) do House of Pain também fizeram sucesso com a música estilo dance primeiro, pense depois: “Jump Around”. Esta é babada em programas de esporte radicais, vale-tudo e coisas do tipo. 

Também em 92, o grupo Arrested Development, fizeram sucesso com “People Everyday” (a melhor dessa seleção que fiz). A música utiliza elementos, de forma mais racional, da música “Everyday People” do grupo de Soul, Sly And The Family Stone. Na verdade nem sei se posso encaixar o Arrested no lable de “One Hit Band”, pois eles emplacaram outras músicas como “Tenesse” e “Revolution”, esta última, trilha do filme estrelado por Denzel Washington,  Malcolm X.  O fato é que o grupo logo depois disso

 caiu no ostracismo.