Na última terça-feira, dia 11 de novembro, eu estive no Via Funchal, em São Paulo, para viver a experiência de um dos shows mais espetaculares da minha vida miserável. Quem viu (e ouviu), sabe do que estou falando. Com sucessos de quase 30 anos de estrada, e outros do recente álbum Accelerate, o R.E.M. arrancou aplausos, lágrimas e mostrou que muita gente naquela platéia sabia dançar de forma desengonçada, incluindo eu, e cantar mal pacas. Mas todos estavam empolgadíssimos como fiéis seguidores da banda até a última canção (Man on the Moon) graças à carismática presença de palco de Michael Stipe e sua trupe. Era como se aquela noite jamais pudesse terminar…
A banda começou agressiva com Living Well Is the Best Revenge, do novo álbum, que me lembra um pouco do barulho de Monster, mas que não chega a ser tão prazerosamente ensurdecedor quanto What’s the Frequency, Kenneth?, a terceira canção da noite. Essa, todo fã sabe cantar - a música abre o CD Monster, que marcou uma reviravolta sonora com guitarras rasgadas e estouradas. Aqui, o R.E.M começava a mostrar que também era capaz de fazer um rock n’ roll pauleira sem fugir de suas tradicionais características. Na verdade, o R.E.M. é uma das poucas bandas que soube se reinventar ao longo dos anos sem jamais deixar de ser ela mesma, ao contrário do que fez, por exemplo, o Titãs aqui no Brasil, após a saída de Arnaldo Antunes.p>
“What’s the frequency, Kenneth?” is your Benzedrine, uh, huh… I was brain dead, locked out, numb, not up to speed… I thought I’d pegged you an idiot’s dream… Tunnel vision from the outsider’s screen… I never understood the frequency, uh, huh…
Com todo mundo já suado, os ânimos foram acalmados com Drive, do álbum Automatic For the People, o melhor do R.E.M. Com Michael Stipe mandando seu recadoHey, kids, rock and roll… Nobody tells you where to go, baby), a platéia compreendeu a proposta do show, que representa a própria história da banda: Um som diferente do outro. O R.E.M muda de uma faixa pra outra. De um álbum pra outro, mas sua música permanece inconfundível. Logo depois, tocaram uma das faixas mais raivosas do mesmo Automatic For the People: Ignoreland. Stipe dedicou a canção a George W. Bush (e a George Bush Pai), afinal ela começa dizendo These bastards stole their power from the victims of the US. Ao terminar, Stipe ainda homenageou Barack Obama no palco com um trocadilho com o nome do álbum mais celebrado da banda: Obamatic For the People. A platéia ovacionou a banda e seu incentivo ao novo presidente norte-americano. Para manter o clima da esperança mundial, o R.E.M emendou com um de seus principais hits da década, Imitation of Life, do álbum Reveal.
That sugarcane that tasted good… That’s who you are, that’s what you could… C’mon, c’mon on no one can see you cry…
Para minha surpresa (e para deixar a platéia em êxtase nostálgico permanente), a banda mandou Pretty Persuasion na seqüência – velharia total do álbum Reckoning, de 1984, cantada por Stipe como se não houvesse amanhã. O refrão de Pretty Persuation ecoa na minha cabeça desde o início dos anos 90, quando descobri o R.E.M. Estranho, não? Mas, no show, as pessoas em volta de mim, também sabiam a letra de cor.
He’s got pretty persuasion… She’s got pretty persuasion… Goddamn, your confusion… She’s got pretty persuasion…
Quando a canção terminou, o R.E.M. não teve dó nem piedade e tocou a música mais triste de todas, que deve ter salvado um monte de gente do suicídio desde que foi criada em 1992: Everybody Hurts. E foi assim. Uma canção agitada e depois uma canção mais… lenta. Assim foi o show. Não dava tempo de diminuir a adrenalina e também não dava tempo de chorar. Fantástico. Um maluco filmou o momento de Everybody Hurts, como você pode ver no fim deste post. Não fui eu.
‘Cause everybody hurts… Take comfort in your friends… Everybody hurts… Don’t throw your hand… Oh, no… Don’t throw your hand… If you feel like you’re alone, no, no, no, you are not alone…
Pouco depois, tocou a minha favorita: The One I Love. Todos enlouqueceram num grau só comparado ao momento da canção que todos conhecem, que é Losing My Religion. A maioria, pelo menos, sabia cantar This one goes out to the one I love… This one goes out to the one I’ve left behind… Difícil foi entender a menina ao meu lado tentando cantar A simple prop to occupy my time… Mas tudo bem. Não demorou muito e Michael Stipe cantou Orange Crush, que também está entre minhas favoritas.
Follow me, don’t follow me… I’ve got my spine, I’ve got my orange crush… Collar me, don’t color me… I’ve got my spine, I’ve got my orange crush…
Stipe perguntou quem dali viu o show na noite anterior. Vários levantaram as mãos. Stipe perguntou se alguém já tinha visto o R.E.M. tocar em outra ocasião. Quase todos levantaram as mãos. Stipe perguntou quem ali estava confiante em Barack Obama e acho que todos levantaram as mãos. Pouco depois, a banda fechou com a agitada It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine), que pelo inglês da galera presente no show, deveria ser música obrigatória em qualquer curso, afinal ela é muito rápida. Todos sabem, pelo menos, o refrão. Mas a banda voltou para o bis sob uma chuva de aplausos com Supernatural Superserious, principal hit do novo álbum. Isso, somente para preparar a platéia para Losing My Religion, que viria logo depois. Essa todo mundo sabe.
Oh, life is bigger… It’s bigger than you… And you are not me… The lengths that I will go to… The distance in your eyes… Oh no, I’ve said too much… I set it up… That’s me in the corner… That’s me in the spotlight… I’m Losing my religion… Trying to keep up with you… And I don’t know if I can do it… Oh no, I’ve said too much… I haven’t said enough… I thought that I heard you laughing… I thought that I heard you sing… I think I thought I saw you try…
Depois das velhariasMaps & Legends e Begin the Begin (que tem aquela paradinha bacana da guitarra), o R.E.M. encerrou o show com Man on the Moon, uma das melhores faixas de Automatic For the People, em homenagem ao comediante Andy Kaufman.
Andy, did you hear about this one? Tell me, are you locked in the punch? Andy, are you goofing on Elvis? Hey, baby, are we losing touch? If you believed they put a man on the moon… Man on the moon… If you believe there’s nothing up my sleeve… Then nothing is cool…
No fim, Michael Stipe prometeu à platéia que a banda voltará a São Paulo em breve. Amigos, estarei lá com o R.E.M. Podem ter certeza. Após uns três, quatro ou cinco minutos de aplausos, a banda se retirou do palco. Morrendo de sede, comprei uma água no Via Funchal mesmo. Quatro Reais! QUATRO! Um copinho sem vergonha. Pode isso? Na saída, uma garota chapada me perguntou: VAI PRA BALADA? Eu respondi de forma seca: NÃO! E ela ficou com uma cara de quem comeu e não gostou. Balada? Ela enlouqueceu? A balada terminou com Man on the Moon! Chega! Nada mais seria tão inesquecível naquela noite. Dispenso! Fui pro meu carro ouvir mais R.E.M. Até a próxima, Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck!
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novembro 16, 2008 at 3:11 am
Muito bom Otávio, realmente foi uma noite maravilhosa na sua vida não tão miserável assim. Essa garota da balada foi cômica e eu sou testemunha. É cada uma! Otávio, vc reclama da água, e eu que pagauei R$7 por uma lata de cerveja? Ainda por cima ITAIPAVA!!! E não tinha outra opção! O negócio agora é esperar pelo Radiohead!!!
novembro 16, 2008 at 2:50 pm
Ai INVEJAAAAAAAAAAA! Bjs!
novembro 16, 2008 at 4:25 pm
4 reais por uma garrafa de água??? NOSSA! Caro, hein??? Mas, acho que acabou valendo a pena ter pago tudo isso após esse show maravilhoso do R.E.M.! Adoraria poder viver esta experiência, pena que estou tão longe do eixo Rio-SP!
novembro 17, 2008 at 11:30 am
Belo relato, Otavião! Realmente deu vontade de estar ali compartilhando a emoção de acompanhar ao vivo esta bela apresentação.
Os fanfarrões que chamam o R.E.M de onehitband são mesmo uns babacas…rs…as canções e as letras são brilhantes.
novembro 17, 2008 at 9:33 pm
Foi do caralho, gente! Na boa, mas foi isso!
Abs!
novembro 17, 2008 at 9:35 pm
Foi do caralho, gente! Na boa, mas foi isso!
Abs!
novembro 20, 2008 at 1:42 pm
Sem dúvida seria um dos momentos mais marcantes de minha vida se fosse a um show como esse, pena que pouca coisa que realmente preste venha para o Nordeste.